Candidatura Alegre Presidente - Algarve Jovem

quinta-feira, dezembro 22, 2005

"a palavra certa de um Presidente pode ajudar a mudar a vida"

Manuel Alegre entende que o facto de ser escritor e de "saber o efeito mágico da palavra" é uma mais-valia da sua candidatura a Presidente da República. Isto porque "pela palavra certa e justa um Presidente da República pode ajudar a mudar a vida", justificou.
Foi desta forma que o candidato a Belém rematou a sua intervenção feita ontem à noite num jantar em Monte Abraão (no centro paroquial da freguesia), em Queluz, com pouco mais de uma centena de apoiantes ligados ao desporto e à cultura. Numa iniciativa de pré-campanha que aparentou ser mais um encontro de amigos, Manuel Alegre não se desviou muito daquilo que tem proclamado ao longo das últimas semanas. Frisou a "falta de uma visão estratégica" para o país e de um "pensamento nacional" - insistiu no "défice de portugalidade" - e sublinhou que Portugal "tem de subir ao pódio na educação, no desenvolvimento e na capacidade de competir em muitos domínios". Reafirmando que "antes de ser europeísta" é "sobretudo português", o candidato a Presidente da República respigou uma das bandeiras da sua pré-campanha: "Não quero que Portugal seja cada vez mais periférico, quero que recupere o espírito quinhentista". Para tal, advogou, o país necessita de um chefe de Estado que possua uma "visão global dos problemas" e uma "capacidade de imaginar e ajudar a fazer história". Em suma, continuou, um Presidente "que dê valor à cultura, à história, que compreenda que Portugal não conta muito na economia de mercado, mas conta muito na cultura, na história e sobretudo na língua". As palavras de Alegre arrancaram aplausos, tendo o mesmo acontecido quando o candidato voltou a criticar o modelo de desenvolvimento das últimas três décadas. "O 25 de Abril foi uma revolução vitoriosa, mas o modelo de desenvolvimento dos últimos 30 anos está esgotado", afirmou, apontando a necessidade de apostar na coesão social, em políticas de emprego, na "formação das pessoas" e na "inovação social". Neste âmbito, o candidato resgatou uma das propostas que constaram do seu programa de candidatura à liderança do PS: a defesa do Estado estratega, que, notou, "define horizontes, metas e objectivos nacionais" porque não se restringe a ser um instrumento "regulador do mercado". Contudo, logo a seguir, Alegre quis separar as águas, sublinhando que não aspira a "governar a partir da Presidência". E acrescentou: "Mas também não me candidato para ser um corta-fitas. Defendo uma magistratura de proximidade e de exigência." Um dia depois de ter estado no Porto, Alegre quis assinalar o efeito da sua passagem pela cidade, anteontem. "Tenho 30 anos de campahas eleitorais, ontem entrei numa rua do Porto e de repente houve uma apoteose", disse, frisando que esta recepção lhe deu a "convicção" de que "pode haver uma surpresa" nas eleições presidenciais. E prosseguiu, em tom de recado para os restantes candidatos da esquerda: "Pode defender-se ideias sem insultar ninguém, sem agredir os outros. É assim que vou estar nesta campanha". Alegre não deixou também de voltar a aludir aos apelos feitos por dirigentes socialistas para os candidatos da esquerda desistirem a favor de Mário Soares: "Por favor não façam mais apelos à desistência de ninguém. No que me respeita, é quase um insulto." Antes de Alegre, Inês Pedrosa e o atleta olímpico Nuno Delgado fizeram breves intervenções, tendo a mandatária por Lisboa realçado que durante a passagem do candidato pelo Porto "não houve um só comentário desagradável para Manuel Alegre". Facto que, frisou a escritora, demonstra que "Portugal é um país de pessoas bem-educadas, com civismo". Entre os apoiantes que se reuniram em Queluz encontravam-se Mário Zambujal, Nuno Júdice, Mário Wilson, António Macedo, Teresa Rita Lopes (mandatária nacional), Lena d"Água, José Fanha, Paulo de Carvalho, Fernando Pinto do Amaral e Tinoco Faria.
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